Grande Projeto de Requalificação Urbana no Leste de Lisboa é Aprovado, com Investimento de Até 800 Milhões de Euros
Grande Projeto de Requalificação Urbana no Leste de Lisboa é Aprovado, com Investimento de Até 800 Milhões de Euros
Uma nova megaurbanização com cerca de 1.400 casas vai nascer numa área de aproximadamente 28 hectares entre Marvila e o Beato, em Lisboa.
Uma nova megaurbanização com cerca de 1.400 casas vai nascer numa área de aproximadamente 28 hectares entre Marvila e o Beato, em Lisboa, depois de a respetiva Unidade de Execução ter sido aprovada pela Câmara Municipal a 22 de abril. O investimento global poderá variar entre 500 milhões e 800 milhões de euros, revelou o Negócios, com a promotora maioritária controlada pela gestora de fortunas suíça 1875 Finance.
O projeto é promovido pela Floris Marvila, empresa que detém metade das 12 parcelas abrangidas pela operação, correspondentes a mais de 70% dos terrenos. A intervenção é desenvolvida em coordenação com a Câmara de Lisboa e com a Infraestruturas de Portugal, que possuem, respetivamente, 21,2% e 6,6% dos terrenos envolvidos.
A aprovação da Unidade de Execução Marvila-Beato surge depois de dois períodos de discussão pública, realizados entre maio e junho do ano passado e entre janeiro e fevereiro deste ano. Até agora, não tinha sido revelado quem estava por detrás da Floris Marvila nem o valor estimado do investimento.
Nova zona urbana terá casas, comércio, serviços e equipamentos públicos
A operação prevê a criação de cerca de 1.400 habitações, incluindo habitação social e acessível. O plano inclui ainda equipamentos públicos, como um centro de dia e um lar de idosos, bem como espaços destinados a comércio e serviços.
A intervenção urbanística conta com uma equipa multidisciplinar que integra o gabinete de arquitetura portuense OODA e o escritório neerlandês MVRDV. A proposta procura combinar nova construção, espaço público e preservação de património existente numa zona da cidade marcada por antigas barreiras físicas e pela presença de infraestruturas ferroviárias.
Entre os elementos patrimoniais e culturais integrados no projeto estão o Convento do Beato e uma seringueira centenária, que deverá tornar-se o ponto central de uma nova praça pública.
Quatro áreas ligadas por parque central e corredores verdes
De acordo com o Negócios, a proposta organiza-se em quatro áreas distintas: Açúcar, Polu, Beato e Madre Deus. Cada uma terá identidade própria, mas todas serão ligadas por um parque central, por praças, pátios e corredores verdes destinados a criar continuidade entre o novo desenvolvimento e os bairros vizinhos.
O parque urbano será o elemento estruturante do plano. Além de espaço de lazer, deverá funcionar como ligação entre as várias zonas da intervenção e a envolvente, assumindo também uma função ecológica e de mitigação da futura Terceira Travessia do Tejo.
A configuração prevista garante acessos a vários pontos do território, percursos pedonais e cicláveis, continuidade com a frente ribeirinha e ligação à futura estação de Marvila. O parque deverá incluir ainda áreas para desporto, lazer, hortas urbanas, eventos e atividades comunitárias.
A zona entre Marvila e o Beato teve, no passado, uma forte componente agrária, associada a quintas senhoriais, solares e hortas que abasteciam Lisboa. A partir do final do século XIII, a área foi sendo moldada pelo desenvolvimento industrial inicial, com as linhas férreas a criar, ao longo do tempo, barreiras físicas no território.
O objetivo da intervenção passa por transformar essas barreiras em novas ligações, usando a paisagem e o espaço público para reconectar os bairros entre si, com a cidade e com o rio Tejo.
Com a Unidade de Execução já aprovada, seguem-se agora as fases de estudo de impacte ambiental, obras de urbanização e loteamentos. Estes passos deverão consolidar o enquadramento legal e técnico necessário para avançar com a transformação desta área da zona oriental de Lisboa.
Para mais informações, consulte: https://adlinvestment.com/pt-pt/about/