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Risco geopolítico em alta: o imobiliário português afirma-se como novo “porto seguro”

  • Risco geopolítico em alta: o imobiliário português afirma-se como novo “porto seguro”

Num contexto de crescente tensão no Médio Oriente — em particular com o agravamento dos conflitos relacionados com o Irão — a incerteza no ambiente global de investimento aumentou de forma significativa. Especialistas do setor apontam que, nestas circunstâncias, os investidores tendem a direcionar capital para mercados mais estáveis, sendo Portugal cada vez mais visto como um “porto seguro”.

A experiência histórica demonstra que, em períodos de instabilidade geopolítica, os investidores imobiliários procuram destinos de menor risco, como Portugal. No atual contexto de tensão internacional, este padrão poderá voltar a repetir-se.

Manuel Maria Gonçalves, CEO da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), afirmou em entrevista ao idealista/news: “Portugal continua a ser percecionado como um mercado estável dentro da Europa, o que pode reforçar o interesse de investidores internacionais que procuram diversificar ou proteger capital em geografias mais seguras.”

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Aumento da incerteza leva a maior seletividade

O conflito em curso no Médio Oriente está a impulsionar o aumento dos custos da energia — em grande parte devido a perturbações no Estreito de Ormuz — e a intensificar a volatilidade nos mercados financeiros. Os investidores já começam a antecipar possíveis subidas das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu, como resposta a novas pressões inflacionistas.

O especialista em finanças imobiliárias Gonçalo Nascimento Rodrigues sublinha que as expectativas desempenham um papel central nas decisões de investimento: “No imobiliário, como em qualquer outro setor, a perceção do futuro é determinante. Se houver uma expectativa clara de subida das taxas de juro, os investidores tornar-se-ão mais cautelosos e seletivos nas suas escolhas.”

Tendo em conta que o investimento imobiliário é, por natureza, de longo prazo — especialmente em projetos de desenvolvimento ou reabilitação, que podem prolongar-se por vários anos —, a economista Vera Gouveia Barros considera que o impacto dependerá sobretudo da duração do conflito. “Ainda é cedo para fazer previsões”, afirma, acrescentando que “as guerras tendem a gerar incerteza e a reduzir a confiança, o que é prejudicial ao crescimento económico.”

Também o CEO da APPII considera que, no curto prazo, os conflitos geopolíticos tendem sobretudo a aumentar a incerteza nos mercados internacionais, levando os investidores a adotar uma postura mais prudente. Por agora, é difícil antecipar impactos diretos significativos no mercado imobiliário português.

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Mercados estáveis ganham destaque

Apesar do cenário de incerteza, Portugal poderá beneficiar da atual conjuntura. Enquanto um dos mercados mais estáveis da Europa, o país é cada vez mais visto como uma opção segura para a alocação de capital.

Analistas do setor referem que, caso a instabilidade regional se prolongue, alguns investidores internacionais poderão reforçar a diversificação geográfica dos seus portefólios, considerando Portugal como uma alternativa atrativa para investimento imobiliário de longo prazo.

Ainda assim, existem alertas. Um eventual agravamento ou prolongamento do conflito poderá ter impactos mais amplos na economia global e nos mercados financeiros, influenciando as taxas de juro e os prémios de risco. O mercado imobiliário português tem sido considerado por algumas instituições europeias como relativamente “sobreavaliado”, o que poderá expô-lo a ajustamentos em cenários adversos. José de Matos, secretário-geral da Associação Portuguesa dos Comerciantes de Materiais de Construção (APCMC), deixou esse aviso.

Paralelamente, os investidores estão cada vez mais atentos ao enquadramento institucional português, nomeadamente em matéria fiscal e nos processos de licenciamento. O consenso no mercado é que o avanço de reformas nestas áreas poderá reforçar a competitividade de Portugal no contexto europeu.

Investimento do Médio Oriente ainda limitado, mas em crescimento

Apesar da relevância do Médio Oriente no atual cenário geopolítico, o capital proveniente desta região continua a representar uma fatia relativamente reduzida do mercado imobiliário português. Segundo a APPII, a participação de investidores do Médio Oriente é inferior à de investidores europeus, norte-americanos e, mais recentemente, asiáticos.

No segmento residencial, dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que, nos primeiros nove meses de 2025, o investimento direto proveniente de fora da União Europeia representou apenas 4,7% do volume total de transações. Manuel Reis Campos, presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), considera que este valor indica que, no curto prazo, o impacto direto da situação no Médio Oriente será limitado no mercado habitacional português.

Ainda assim, o interesse dos investidores do Médio Oriente tem vindo a crescer gradualmente. O foco tem incidido sobretudo em ativos de maior escala e perfil institucional, como hotelaria, projetos residenciais de gama alta, bem como ativos logísticos e de uso misto.

Especialistas do setor sublinham que o capital proveniente do Médio Oriente tende a adotar uma perspetiva de investimento de longo prazo, privilegiando ativos de elevada qualidade em mercados estáveis — uma abordagem que se alinha com o posicionamento atual de Portugal.

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