O mercado português abrandou, mas os preços continuam a subir
Os dados mais recentes sobre o mercado imobiliário em Portugal confirmam uma tendência que já vinha a desenhar-se: o ritmo de vendas abrandou, com uma queda de cerca de 9,4% no número de transações, mas os preços continuam a subir de forma consistente.
À primeira vista, poderá parecer um sinal de inversão ou de arrefecimento mais profundo, mas, na realidade, estamos apenas a assistir a uma estabilização em níveis elevados, sem que o problema estrutural tenha sido resolvido.
O mercado não está em queda; está em ajustamento. Após anos de forte crescimento, impulsionado pela procura interna e internacional, era natural que o volume de transações atingisse um limite. No entanto, o facto de os preços continuarem a subir mais de 20% em termos homólogos demonstra que a pressão se mantém. E essa pressão não resulta de mera especulação, como muitas vezes se tenta simplificar, mas de um claro desequilíbrio entre oferta e procura.
Portugal continua a construir abaixo das necessidades. As cerca de 26 mil habitações concluídas no ano passado representam apenas uma fração do que era produzido há duas décadas. Os processos de licenciamento continuam lentos, os custos de construção permanecem elevados e o acesso ao financiamento para o desenvolvimento imobiliário continua limitado. Tudo isto contribui para que a nova oferta não chegue ao mercado com a escala necessária.
Ao mesmo tempo, a procura mantém-se resiliente. Seja por razões demográficas, mobilidade internacional ou pela atratividade do país, Portugal continua no radar de investidores e compradores. Mesmo num contexto de instabilidade internacional e de possíveis subidas das taxas de juro, o mercado mantém-se ativo, ainda que com menor dinamismo.
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