A resiliência orçamental de Portugal continua a reforçar-se: país poderá evitar défice em 2026
O Governo português prevê que, apesar do aumento da incerteza económica global e das tensões persistentes no Médio Oriente, Portugal consiga manter este ano uma posição orçamental próxima do equilíbrio, evitando regressar a uma situação de défice.
O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirmou recentemente que o saldo orçamental no final de 2026 deverá ficar “próximo de zero”, sublinhando que a melhoria contínua das contas públicas nos últimos anos tem reforçado a capacidade do país para enfrentar riscos externos.
“Contra muitas expectativas, Portugal registou em 2025 um excedente orçamental equivalente a 0,7% do PIB, e foi precisamente esse resultado que nos permitiu enfrentar melhor o impacto da tempestade e do conflito no Médio Oriente”, afirmou o ministro durante uma ação de formação para gestores do setor empresarial do Estado, em Lisboa.
Situação orçamental mostra melhoria consistente
O desempenho orçamental de Portugal tem vindo a melhorar de forma consistente nos últimos anos.
Os dados mostram que: Em 2023, Portugal registou um excedente orçamental de cerca de 1,2% do PIB; Em 2024, o excedente manteve-se em torno de 0,7%; E, de acordo com o mais recente Relatório Anual de Progresso (APR) enviado à Comissão Europeia, o saldo orçamental de 2026 deverá situar-se próximo de 0%.
Comparativamente aos anos em que Portugal viveu longos períodos de défice orçamental, o país é hoje considerado uma das economias mais estáveis do ponto de vista fiscal dentro da zona euro.
Importa recordar que, ainda em março deste ano, o ministro das Finanças admitia a possibilidade de um “ligeiro défice” em 2026. A revisão das previsões do Governo sugere agora que tanto as receitas fiscais como o desempenho económico superaram as estimativas anteriores.
Um sinal de estabilidade em contexto de juros elevados e riscos globais
Os analistas consideram que manter o equilíbrio orçamental num contexto de desaceleração económica europeia, taxas de juro ainda elevadas e persistência de riscos geopolíticos constitui, por si só, um sinal importante.
Nos últimos anos, Portugal beneficiou do crescimento do turismo, da melhoria das exportações e da estabilidade do mercado de trabalho, fatores que contribuíram para o aumento das receitas fiscais. Paralelamente, o Governo tem mantido uma postura relativamente prudente no controlo da despesa pública.
Ainda assim, os mercados continuam atentos à pressão futura sobre as contas públicas, nomeadamente nas áreas da habitação, serviços públicos e investimento em infraestruturas, que poderão representar novos desafios para a estabilidade orçamental.
Apesar disso, face a vários países europeus que voltam a enfrentar o aumento dos défices, a trajetória orçamental portuguesa continua a ser vista de forma relativamente positiva e poderá reforçar a confiança dos investidores internacionais na estabilidade económica do país.
Link original:
Para mais informações, consulte: https://adlinvestment.com/pt-pt/about/