Grande Oportunidade de Negócio! Planeamento Urbano “Disruptivo” em Lisboa, Área de Desenvolvimento 55 Vezes Maior do que a da Expo — Margens do Tejo Unidas Num Só Projeto!
Reportagem compilada pelo Jornal Sino-Português, Recentemente, o Primeiro-Ministro Montenegro reuniu-se com 19 presidentes de câmara para apresentar detalhadamente o plano do projeto “Parques Cidades do Tejo”, um megaempreendimento que irá transformar completamente a paisagem das duas margens do rio Tejo. O projeto abrange zonas importantes como Arco Ribeirinho Sul, Ocean Campus, o atual Aeroporto de Lisboa e a Cidade Aeroportuária de Benavente, prevendo-se a construção de 26.000 novas habitações e a criação de 200.000 postos de trabalho.
Transformar o Tejo de Obstáculo em Conector
O Ministério das Infraestruturas e da Habitação afirma: “O objetivo central do projeto ‘Parque Cidades do Tejo’ é transformar o Tejo de um obstáculo que divide as margens num elo que conecta as várias regiões.” A Grande Lisboa é a região mais populosa de Portugal, concentrando um quarto da população nacional. Este projeto promete mudar profundamente o ordenamento urbano das duas margens do Tejo.
Grande Desenvolvimento em Benavente
Importa destacar que os 19 municípios convocados por Montenegro ultrapassam os 18 municípios que compõem a Área Metropolitana de Lisboa (AML), incluindo também Benavente. A inclusão deste concelho deve-se à localização do futuro aeroporto de Lisboa, tornando Benavente uma parte essencial do plano.
Quatro Zonas-Chave do Projeto
De acordo com o comunicado do Ministério das Infraestruturas e da Habitação, a área total de desenvolvimento é de 4.500 hectares — 55 vezes superior à da antiga Expo. Municípios como Almada, Barreiro, Seixal, Lisboa, Oeiras, Loures, Montijo e Benavente serão diretamente beneficiados. O projeto divide-se em quatro zonas principais:
1. Arco Ribeirinho Sul (Almada, Seixal e Barreiro)
Área total: 519 hectares
Margem ribeirinha: 15 km
Novas habitações: 8.000 segundo o plano urbano atual; estudos previsionais apontam potencial para até 28.000
Área para equipamentos públicos: 800.000 m²
Área para setor terciário e atividades económicas: 2.300.000 m²
Empregos previstos: 94.000
Almada
Área: 58 hectares
Plano: Habitação, comércio e serviços, equipamentos culturais públicos, preservação da memória da indústria naval, construção da Ópera do Tejo
Barreiro
Área: 214 hectares
Plano: Habitação, comércio e serviços, turismo, polo industrial naval, centro de congressos internacional, espaços verdes
Seixal
Área: 247 hectares
Plano: Setor terciário, parque empresarial ecológico, atividades de lazer e recreação
2. Ocean Campus (Oeiras e Lisboa)
Área: 90 hectares
Setor terciário: 180.000 m²
Equipamentos públicos: 181.000 m²
Empregos previstos: 15.000
Plano: Parque urbano, espaço para grandes eventos, cluster de inovação e I&D
3. Aeroporto Humberto Delgado (Lisboa e Loures)
Área: Mais de 400 hectares
Novas habitações: 3.600 segundo o plano atual; estudos previsionais indicam até 9.800
Equipamentos públicos: 119.000 m²
Setor terciário e atividades económicas: 559.000 m²
4. Cidade Aeroportuária (Benavente-Montijo)
Área: Mais de 3.000 hectares
Acessibilidade: Apenas 30 minutos de Lisboa
Conectividade: Ligação por ferrovia de alta velocidade e autoestradas principais
Plano: Nova cidade aeroportuária, polos científicos e industriais ligados à navegação aérea e marítima
Criação de Empresa Pública para Gestão do Projeto
Montenegro anunciou que será criada uma nova empresa pública — Sociedade Parque Cidades do Tejo, S.A., detida a 100% pelo Estado, com capital inicial de 26,5 milhões de euros. Os fundos iniciais serão provenientes da venda de ativos anteriormente detidos pela Baía do Tejo.
As receitas da venda dos terrenos do Parque Empresarial de Estarreja servirão como capital de arranque. Até ao momento, este fundo será apenas destinado a estudos e planeamento — ainda não há investimento direto em obras.
Melhorias nas Infraestruturas: Foco no Transporte Público
O projeto “Parques Cidades do Tejo” é multifacetado. Para além da habitação, inclui infraestruturas culturais, de lazer e investigação, como a Ópera do Tejo, o Centro de Congressos Internacional e a Cidade Aeroportuária.
A melhoria da mobilidade é uma das principais prioridades. O governo pretende aumentar a quota do transporte público de 24% para 35%, prevendo-se um investimento adicional de 3,8 mil milhões de euros em infraestruturas e 328 milhões de euros por ano em subsídios e políticas de bilhética.
Grandes Expansões no Transporte Ferroviário e Fluvial
Metro de Lisboa: +30 km de linhas, 35 novas estações, investimento em curso de 1.524 milhões de euros, redução de 31.000 toneladas de CO₂/ano, mais 46 milhões de passageiros/ano
LIOS Leste (Linha Intermodal Sustentável): +24 km, 37 estações, investimento previsto de 490 milhões de euros
SATUO (Sistema Autónomo de Transporte Urbano do Oeste): +9 km, 14 estações, investimento de 112 milhões de euros
Metro Sul do Tejo (MST – troços Este e Oeste): +50 km, investimento de 350 milhões de euros
Sistema fluvial Transtejo Soflusa: novas rotas e terminais, investimento de 96 milhões de euros em embarcações e carregamento elétrico, mais 14 milhões em requalificação de estações
Alta Velocidade Lisboa-Madrid (2ª fase: Lisboa-Évora): investimento de 2.800 milhões de euros
Novas travessias do Tejo: Ponte Chelas-Barreiro (3ª travessia) — investimento de 3.000 milhões de euros; Túnel Algés-Trafaria — 1.500 milhões de euros; Total de investimento em transportes: 9.886 milhões de euros
Reações dos Autarcas: Entre o Otimismo e a Cautela
Apesar do entusiasmo, algumas autarquias mostram-se prudentes.
O presidente da câmara da Moita, Carlos Albino, comparou o plano ao do antigo primeiro-ministro António Costa: “Parece roupa velha embrulhada como nova em tempo de eleições”, embora tenha reconhecido que o novo plano ainda contempla a estação fluvial da Moita.
O autarca de Setúbal, André Martins, elogiou a “visão estratégica” mas criticou a falta de abrangência. A AML estende-se até ao Sado, mas esta ligação, como a linha fluvial Setúbal-Tróia, ficou de fora. “O novo aeroporto e as travessias não afetam apenas a AML, mas também regiões vizinhas.”
O presidente da câmara do Barreiro, Frederico Rosa, considera o plano “razoável”, mas teme que a instabilidade política prejudique a sua concretização. A definição da nova localização do aeroporto e da terceira ponte Chelas-Barreiro são sinais positivos de avanço.
Fernando Pinto, presidente da câmara de Alcochete, afirmou que o plano retoma ideias do governo Costa sobre o Arco Ribeirinho Sul. “Vejo com otimismo, mas é preciso esperar para ver.”
Montenegro comprometeu-se a encerrar o atual Aeroporto de Lisboa dentro de 10 anos e colocar em funcionamento o novo Aeroporto Luís de Camões (em Campo de Tiro), criando novas oportunidades para a região.
Reunião com Representação Governamental e Empresarial de Alto Nível
A reunião contou com elevada representação institucional. Para além de Montenegro, estiveram presentes o Ministro de Estado e das Finanças, a Ministra da Coesão Territorial, o Ministro das Infraestruturas e da Habitação, bem como responsáveis da Estamo (empresa de gestão de ativos do Estado), da CCDR-LVT e dos Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), debatendo os aspetos técnicos e estratégicos do projeto.
O Ministro Miguel Pinto Luz frisou que este projeto irá requalificar terrenos públicos há muito abandonados. Através da coordenação das quatro zonas principais, visa-se equilibrar a densidade urbana, implementar políticas de habitação pública, reduzir os tempos de deslocação dos residentes e melhorar a qualidade de vida com transportes públicos reforçados e infraestrutura moderna.