Aumento do preço das casas em Portugal é três vezes maior que a média da UE: alguns ganham, outros não conseguem pagar o aluguel
De acordo com os dados divulgados pelo Eurostat na terça-feira desta semana, em 2024, o preço das casas em Portugal aumentou 9,1%, quase três vezes a média da UE, que foi de 3,3%, tornando-se o sexto país com o maior aumento de preços de imóveis na UE. Embora nos últimos dez anos os preços das casas tenham subido continuamente na UE, houve uma breve queda em 2023, mas em 2024 voltaram a subir. Os países da zona do euro registraram um aumento médio de 2%. O aumento em Portugal foi muito superior a esse nível, ficando atrás apenas da Bulgária, Croácia, Lituânia, Hungria e Polônia.
Ao mesmo tempo, apenas cinco países da UE registraram uma queda nos preços das casas em 2024. O país com a maior queda foi Luxemburgo (-5,2%), enquanto os preços também caíram na Alemanha e na França. A Alemanha, a maior economia da Europa, registrou uma queda de 8,5% em 2023, seguida por uma queda de 1,6% em 2024; a França caiu 3,7%, a Finlândia e a Áustria caíram 3,5% e 0,2%, respectivamente.
Os aluguéis também aumentaram significativamente
Além dos preços das casas, os aluguéis também continuaram a subir. Em 2024, o aluguel em Portugal aumentou 7%, acima da média da UE de 3,1% e da zona do euro de 2,9%, tornando-se um dos países com o maior aumento, atrás apenas da Hungria (aumento superior a 12%). Outros países com altos aumentos de aluguel incluem Letônia, Malta e Romênia. O único país a registrar uma queda no aluguel foi a Estônia, com uma redução de 0,9% em 2024.
O futuro pode ser pior, cinco fatores merecem atenção
O aumento contínuo dos preços das casas em Portugal não é casual, vários fatores profundos atuam em conjunto, criando uma tensão estrutural sistêmica. Especialistas apontam que os seguintes cinco fatores continuarão a exercer forte pressão ascendente no mercado imobiliário português:
1. Redução das taxas de juros estimula a demanda
Com o Banco Central Europeu gradualmente reduzindo as taxas de juros, os empréstimos hipotecários tornaram-se mais acessíveis, e os compradores que estavam esperando reentraram no mercado, aumentando o volume de transações e impulsionando os preços. Atualmente, as taxas de juros estão estabilizadas entre 2,5% e 3%, e não se espera uma redução significativa, mas isso já é suficiente para estimular a atividade do mercado.
2. Aumento da população imigrante, impulsionando a demanda por moradia
Nos últimos anos, a população imigrante em Portugal tem crescido continuamente, e atualmente há mais de 500.000 imigrantes trabalhando no país. Famílias de imigrantes, principalmente brasileiras, têm demanda por moradia semelhante às famílias locais, especialmente em cidades menores como Braga, impulsionando o rápido aumento dos preços nestas regiões.
3. Construção de novas casas severamente atrasada
Portugal aprova anualmente cerca de 30.000 novas casas, o que é muito insuficiente para atender à demanda crescente. Pior ainda, muitos projetos aprovados não são iniciados prontamente, devido à escassez de mão de obra, custos elevados e processos administrativos complexos, prolongando os ciclos de construção e agravando o desequilíbrio entre oferta e demanda. Embora o governo tenha prometido reduzir o IVA do setor da construção para 6% para estimular a oferta de novas casas, tais políticas ainda não foram implementadas, e muitos projetos permanecem em espera.
4. Políticas de compra de casas para jovens empurram os preços para cima
O governo oferece garantias de empréstimo total e isenção de imposto de selo para jovens com menos de 35 anos que compram casas. Isso aumenta a capacidade de compra de parte dos jovens, por exemplo, aqueles que antes podiam oferecer 200.000 euros agora podem oferecer 250.000 euros, elevando assim o preço geral do mercado. Embora alguns considerem que este fenômeno faz parte da 'dinâmica natural do mercado', a maioria dos especialistas acredita que essas políticas, no curto prazo, certamente elevam os preços de transação.
5. Investidores estrangeiros continuam a chegar
Em um contexto de inflação global, guerra e incerteza política, cada vez mais investidores internacionais veem o imobiliário em Portugal como um 'ativo de refúgio'. A compra de imóveis em planta (off-plan) tornou-se uma opção de investimento popular, com muitos desses imóveis permanecendo vazios, intensificando o clima especulativo. Especialistas alertam que, sem intervenção, a especulação de capital continuará a elevar os preços, tornando ainda mais difícil para os residentes comuns entrar no mercado imobiliário.
Atração de retorno sobre o investimento continua, com taxa de 7,2%
De acordo com os dados divulgados pela plataforma imobiliária Idealista, no primeiro trimestre de 2025, o retorno bruto médio do aluguel residencial em Portugal atingiu 7,2%, ligeiramente abaixo dos 7,3% do mesmo período de 2024, mas ainda em níveis elevados recentemente.
O relatório indica que o aumento dos preços (6,3%) superou o aumento dos aluguéis (4,9%), mas o retorno total do investimento ainda é atraente. As regiões com os maiores retornos são Castelo Branco (8,6%) e Santarém (7,5%), embora estas regiões também sejam consideradas com maior risco de vazio e desvalorização.
Em comparação, o retorno mais baixo é na capital, Lisboa (4,7%), mas o risco de investimento nesta área é relativamente menor, com baixa taxa de vazio e maior probabilidade de valorização dos imóveis.
Além dos imóveis residenciais, os retornos médios de escritórios, lojas e garagens são de 8,3%, 8,4% e 5,7%, respectivamente, reforçando ainda mais a posição do mercado imobiliário como um 'ativo de refúgio'.