Visão geral do mercado imobiliário em Portugal em 2026
À medida que a economia europeia recupera gradualmente, o mercado imobiliário português continua a demonstrar uma forte resiliência em 2026. Apesar de um abrandamento no ritmo das transações, a subida dos preços e a contínua entrada de capital internacional mantêm Portugal como um dos destinos mais atrativos para investidores globais.

Subida contínua dos preços
No último ano, o mercado imobiliário português apresentou um desempenho robusto. Em 2025, os preços da habitação aumentaram mais de 16% em termos homólogos, tendência que se mantém em 2026. O preço médio nacional já ultrapassa os 2.000 euros por metro quadrado, sendo significativamente mais elevado em regiões como Lisboa, Porto e Algarve.

A principal explicação para esta evolução continua a ser o desequilíbrio estrutural entre oferta e procura: escassez prolongada de habitação, construção nova limitada e falta de disponibilidade de solo nas principais cidades. Sem melhorias significativas do lado da oferta, os preços deverão manter-se sustentados no curto prazo.
Continuação da entrada de capital internacional
Em 2026, o volume de transações começou a mostrar sinais de abrandamento face a 2025. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o número total de transações residenciais atingiu cerca de 169 mil em 2025, registando um crescimento anual de aproximadamente 8,6%. No entanto, já no final do ano era visível uma tendência de “preços em subida com desaceleração do número de transações”。
Ao mesmo tempo, a estrutura da procura está a mudar. As famílias representaram 87,5% das aquisições em 2025, o valor mais elevado dos últimos anos, enquanto a procura institucional e especulativa diminuiu. Isto indica uma transição de um mercado impulsionado por capital de curto prazo para um perfil mais orientado para habitação própria e investimento de longo prazo.
(source: INE)
A procura por parte de compradores estrangeiros também abrandou, registando uma queda de cerca de 13,3% em termos homólogos em 2025. Com a estabilização das taxas de juro e o aumento dos custos de aquisição, parte dos compradores adotou uma postura mais cautelosa, contribuindo para a desaceleração das transações. Ainda assim, a procura mantém-se sólida, evoluindo de uma lógica de transações frequentes para uma abordagem mais racional. Investidores internacionais, nómadas digitais, reformados e indivíduos de elevado património continuam a desempenhar um papel relevante no mercado.
(source: INE)
Portugal mantém uma forte atratividade: elevada qualidade of life, enquadramento legal estável, barreiras de entrada relativamente acessíveis e rendimentos de arrendamento competitivos. Estes fatores continuam a atrair compradores estrangeiros, especialmente em Lisboa e no Algarve.
Crescente diferenciação do mercado e mudança na lógica de investimento
O mercado imobiliário português apresenta uma diferenciação cada vez mais evidente. Segundo dados do INE, as regiões com preços consistentemente acima da média nacional concentram-se na Grande Lisboa, Algarve e Área Metropolitana do Porto — precisamente as zonas com maior pressão da procura e maior escassez de oferta.
Por outro lado, os mercados secundários oferecem preços mais acessíveis. Em regiões como o Centro e o Alentejo, os valores rondam os 1.500 euros por metro quadrado, contrastando com mais de 4.000 euros por metro quadrado em Lisboa. Esta diferença está a tornar-se um fator determinante nas decisões de investimento.
Do ponto de vista do comportamento do mercado, verifica-se também uma alteração nos padrões de investimento. Com a subida e posterior estabilização das taxas de juro, a procura especulativa diminuiu, enquanto os investimentos orientados para rendimento e detenção de longo prazo ganharam relevância. Os rendimentos do arrendamento residencial em Portugal têm-se mantido em torno dos 6% nos últimos anos, permanecendo competitivos no contexto europeu.
Várias instituições têm vindo a destacar esta tendência. Por exemplo, a CBRE refere nos seus relatórios que os investidores estão a afastar-se da procura de ganhos de curto prazo, privilegiando ativos geradores de rendimento mais estável, com especial interesse em projetos ligados ao turismo, reabilitação urbana e infraestruturas.
Em suma, as estratégias de investimento estão a evoluir de uma lógica de crescimento rápido de preços para uma abordagem estrutural de longo prazo, focada na criação de valor através de diferentes regiões e tipos de ativos.