O fluxo de população está a mudar o mercado imobiliário em Portugal
Ao longo dos últimos anos, o mercado imobiliário português tem atravessado uma mudança muito evidente: a principal força que impulsiona o crescimento do mercado já não é apenas o turismo, mas sim o fluxo contínuo de população. Cada vez mais residentes internacionais optam por viver em Portugal a longo prazo, em vez de apenas visitarem para estadias curtas. Esta mudança está gradualmente a redesenhar a lógica subjacente do mercado imobiliário em Portugal.
Por que razão estão mais pessoas a mudar-se para Portugal?
Na última década, Portugal tornou-se um dos destinos de crescimento mais rápido para residentes internacionais na Europa. Segundo dados da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), em 2025 o número de residentes estrangeiros em Portugal ultrapassava 1 milhão, o que representa cerca de 10% da população total do país. Comparativamente a cinco anos atrás, a população internacional quase duplicou.

As razões por trás deste crescimento populacional são relativamente simples. Em comparação com muitos outros países europeus, Portugal continua a oferecer um custo de vida mais baixo, um clima mais quente e um ambiente social mais estável e seguro. Ao mesmo tempo, como membro da União Europeia e do Espaço Schengen, Portugal continua a atrair pessoas que procuram um estilo de vida europeu e uma maior mobilidade internacional. Com o aumento do trabalho remoto, dos nómadas digitais, da educação internacional e da migração de reformados, mais pessoas veem agora Portugal como um local de residência a longo prazo, e não apenas como um destino de férias.
Quem se está a mudar para Portugal?
A população que entra hoje em Portugal provém de vários grupos distintos.
Por um lado, existe a migração intra-europeia. Residentes de países como França, Alemanha, Reino Unido e Países Baixos continuam a relocalizar-se para Portugal, particularmente para Lisboa, Porto e Algarve. Estes grupos incluem reformados, trabalhadores remotos e famílias de rendimentos mais elevados.

At o mesmo tempo, a imigração vinda dos Estados Unidos e do Brasil também tem crescido significativamente. Nos últimos anos, especialmente, os compradores americanos tornaram-se cada vez mais ativos no mercado imobiliário português, com muitos a verem Portugal como um destino importante para viver a longo prazo e para a alocação de ativos internacionais na Europa.
Entretanto, o número de estudantes internacionais também está a aumentar rapidamente. Cidades universitárias como Braga, Coimbra e Porto continuam a atrair um número crescente de estudantes internacionais e jovens residentes, criando uma procura estável e de longo prazo no mercado de arrendamento.
O que é que o fluxo populacional muda?
Na sua essência, o imobiliário baseia-se fundamentalmente numa coisa: onde as pessoas escolhem viver.

À medida que mais pessoas se mudam para uma cidade, a procura de habitação aumenta naturalmente, os mercados de arrendamento tornam-se mais ativos, as taxas de vacatura diminuem e tanto as rendas como os preços dos imóveis tendem a subir ao longo do tempo.
Durante muitos anos, os investidores focaram-se fortemente nos números do turismo, pois o turismo impulsionava o consumo de curto prazo e os alojamentos de férias. Mas hoje, o mercado está a prestar cada vez mais atenção às tendências demográficas de longo prazo, porque os residentes permanentes criam uma procura de habitação real e sustentada.
Esta mudança significa também que o mercado imobiliário português está a evoluir gradualmente de um “mercado de turismo” para um verdadeiro “mercado residencial”.